Home


Nelson Marins


Abordagem MenteCorpo


Coaching


Cursos e Palestras


Consultoria


Artigos


Crônicas


Diversos


Galerias de Imagens


Links e Serviços


Busca no site/web


Contato


 

 

 

 

Faisão, Javali e Tinto Chileno (conclusão)

Agruras  de um gourmet

 

O estimado leitor já tem conhecimento do meu estoicismo. Mas uma coisa é ser estóico, e outra é ser lacedemônio, o que não o sou. Por isso, no sábado seguinte, três quilos mais magro – nenhuma culpa coubera à gripe –, declarei guerra frontal ao tédio do cardápio e à indigência das refeições e refeitórios (Celso, a esta altura já debandara, reconciliando-se com as múltiplas escolhas culinárias da sua Teresópolis).  Proclamei solenemente: “Amanhã vou à Vassouras de táxi almoçar num restaurante decente. Quem for brasileiro, me siga!”, assumindo explicitamente o comando do motim. 

E, no glorioso domingo, brilhando o sol da liberdade em raios fúlgidos, embarcou numa van que alugáramos uma liga das nações, posto que ao meu brado retumbante aderiram nativos e adventícios (os últimos se naturalizaram nesse instante), sonsos e acomodados que estiveram, bovinamente ruminando a forragem insípida do refeitório. Destarte, transmutou-se uma vilegiatura individual em heróica incursão gastronômica.

Após quatro inglórias tentativas, inquiriu-me o Fernando Müller – colega etílico de baixos teores – “o quê exatamente eu procurava”, mal escondendo uma ponta de irritação. Modestamente respondi que não almejava nada de mais, que me contentaria com um simples faisão, um prosaico javali, um reles vinho tinto chileno. O final da frase foi abafado por estrondosa vaia dos companheiros da van, capitaneados pelo Fernando, que incontinenti destitui-me da liderança da expedição culinária.

Assim é que com as orelhas em brasa e sem mais direito a voz e voto – além da humilhante demissão, cassara-me a palavra – chegamos a uma improvável churrascaria rodízio de beira de estrada, onde nos recepcionaram dois igualmente famintos e amigáveis vira-latas.

Iniciado o repasto, lá pelas tantas nosso garçom anunciou: javali! O amapaense, perplexo, fez cara de paisagem, enquanto eu esboçava comedido sorriso. Mais adiante: faisão!! Confesso que temi um ataque apopléctico do amigo, na medida em que meu sorriso se ampliava. E foi num frouxo de risos que degustamos um honesto tinto chileno!!!, quando retomei o comando da operação, pois o gourmet é antes de tudo um forte. E depois do opíparo e saboroso ágape, fomos dançar na praça da matriz.

Desde então, numa insistência patológica, o Fernando me pergunta qual a estratégia que uso para obter seja o que for.

PS: Esta crônica é uma singela homenagem ao saudoso amigo Nilton Noronha, e a Bel, sua mulher, testemunhas dessa história, e com quem tive o privilégio de dividir inestimáveis momentos de amizade.

    

página anterior

   Publicado: 20.2.2006

 

 

          

 

 
 


 

 


 

 


 

 


Copyright © 2005-2007 Nelson Marins - Site produzido por xenïa antunes