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O PROFESSOR JATENE E A
CPMF |
“Não
é função
do governo fazer
um pouco
pior ou
um pouco
melhor o que
os outros podem
fazer, e sim
fazer o
que ninguém
pode fazer”
Lord Keynes

Adib Jatene é um
ícone
da medicina brasileira.
Pela sua
biografia de
emérito
cirurgião
cardiovascular,
pesquisador e professor
excepcional, homem
digno e ético,
tem sido um modelo
para várias gerações
de especialistas.Sua
competência
profissional
e exemplos de
honradez
representam garantia e aval de seriedade
às metas que
se propõe.
Tais
atributos excepcionais,
infelizmente, não
o transformaram num excepcional
político,
eis o exemplo
da famigerada CPMF. O governante que
pretende solucionar
problemas
pela criação
de impostos é, no
mínimo,
pouco criativo.
Quando esta “contribuição”
provisória
ameaça se tornar permanente é, no mínimo, estelionatária. Quando
esta “contribuição” é desviada para finalidades
espúrias, é no mínimo,
corrupção
e ladroagem.
Na
recente sessão
do Senado em que se votou a “prorrogação” da CPMF, a senadora Ideli
Salvatti, cujo
tom
e timbre de
voz
me provocam dores
lancinantes no trigêmino, relatou o entrevero entre Jatene e Paulo Skaf, numa
manobra
primata de
proselitismo. Citando a coluna
de Mônica Bergamo (Folha de São
Paulo, 13 de novembro), a
senadora informou que Jatene
contestou com veemência os argumentos
do presidente da Fiesp. “...falando alto, com o dedo em riste, o ‘pai’ da contribuição criticou o Cofins, condicionou o fim do ‘imposto
do cheque’ à
taxação
da riqueza e da herança,
afirmou que a
carga
(tributária)
brasileira
é baixa, que
a CPMF não dá para
sonegar, e que
o Brasil é tão
desigual
porque os ricos
não pagam
impostos”.
Modus in rebus,
diria o Horácio. Até
as pedras do
calçadão
da Avenida
Atlântica
sabem que a
sonegação
é uma das inúmeras instituições
brasileiras, seja por prosaica esperteza,
seja como
discutível
mecanismo de defesa
contra a
tributação
escorchante, que obriga o contribuinte a trabalhar cinco meses exclusivamente
para pagar impostos, taxas
e contribuições (Instituto
Brasileiro de Planejamento
Tributário)! Inclusive
na classe médica,
entre muitas outras, em que há os “com e os sem recibo”, a sonegação
é um fato.
É verdade que
no País os
ricos
sonegam mais, proporcionalmente pagam menos impostos que os menos
favorecidos e não
são
descontados na fonte.
Daí a proclamar a
eqüidade e a utilidade da
CPMF vai uma diferença abismal:
a mesma
alíquota
paga pelos
banqueiros, por
exemplo, onera os
bancários.
Mesmo a patuléia
sem conta bancária é sufocada por
esse imposto
inconstitucional. O que
revolta os meus
neurônios é que
o companheiro Inácio da Silva, o operário que chegou a
Presidente da
República, e o seu
Partido
dos Traidores, tenham sofrido um surto de amnésia seletiva. Em passado recente
eram inimigos
implacáveis
não só
deste tributo,
como
a favor da taxação
da riqueza e da herança,
da justiça
social. Ah, eram bravatas de oposição! Melhor mesmo é ser o patrono, e o mais recente amigo de infância,
de banqueiros de
lucros
obscenos, de
grande
empresários
sonegadores
e de políticos ladravazes.
A necessidade de combater a sonegação é um
ponto pacífico.
Mas seria a CPMF a
única
forma e a mais
eficaz? Do mesmo
modo, não
considero excludentes as críticas a CPMF e ao Cofins. Duas
aberrações
não se transformam
em
algo legítimo.
É verdade que outros países
têm uma carga
tributária
maior do que
a do Brasil. Na Suécia, por exemplo, o cidadão
trabalha cento
e oitenta e seis
dias
para pagar todos os tributos,
e o maior
imposto
de renda é de 88% (cf
Você está louco. Ricardo
Semler. Editora Rocco)! Agora, dá para notar as diferenças
da retribuição do Estado sueco na educação,
saúde, segurança
pública,
transportes,
assistência
social
e infra-estrutura?
Para
o supra-assinado tem sido um grande privilégio e motivo
de orgulho a
convivência
com o professor
Jatene há mais de quarenta anos. É uma obviedade ululante
que ele
não poderia
prever que suas melhores intenções de melhorar
a saúde no
País
fossem deturpadas de forma
tão
vil por
uma corja de
políticos
e governantes
canalhas. Cremos que
lhe
sobrou ingenuidade quanto ao estofo moral
deste bando. E
lhe
faltaram estratégias outras para convencer o governo que a saúde, como
reza a Constituição
Federal, é obrigação do
Estado.
Como, aliás,
ocorre em
países
minimamente civilizados.
Escrito em 15/11/2007
Publicado: 17/11/2007
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