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Foto:george georgiades
O sociólogo Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é uma personalidade bastante conhecida pelas suas posições políticas, ideológicas e sociais. Não me cabe fazer a exegese da trajetória do ilustre jornalista. Disto já se encarregou alhures um certo Alceu Garcia em site encontrado no Google. O que vou comentar é um artigo de sua autoria, publicado em Caros Amigos (número 109, abril de 2006), intitulado “Não leia: dance”, em que deblatera indiscriminadamente sobre a auto-ajuda e seus prosélitos. O texto de Emir Sader sobre auto-ajuda é, até prova em contrário, pretensioso, dogmático e maniqueísta. Características paradoxais para quem - no próprio artigo citado - pretende tornar o Brasil e o mundo mais humanos, mais solidários e menos obscenos. Partindo de uma visão pessoal da realidade, como se fosse a única, a melhor e a mais útil, o autor supergeneraliza e coloca num mesmo cesto (ou sentina) obras de diversos jaezes. Como alguém que vê uma só imagem num caleidoscópio e logo conclui ser aquela a única, num universo de possibilidades. É claro que sob o título de auto-ajuda se abrigam detritos imprestáveis, "assim-assim" e... brilhantes! Como, aliás, ocorre em qualquer texto, literário, científico, filosófico e inúmeros etecéteras. Moshe Feldenkrais, autor de "Consciência pelo Movimento", entre outros, tem uma frase lapidar: "Se alguma coisa estiver atrapalhando ou impedindo que você alcance sua meta, mude a palavra". Isto significa que muita gente acredita que a palavra é aquilo que ela descreve, e não uma simples âncora, cuja finalidade é trazer certas experiências à consciência em detrimento de outras, nem mais nem menos. Certas palavras soam pejorativas em nossa cultura. Assim, é muito comum em workshops que oriento, se levantarem poucos e hesitantes dedos quando pergunto: quem quer aprender a meditar? Substituo então a pergunta: quem quer aprender a se concentrar de uma forma tal que assim permaneça, independentemente de condições ambientais extremamente adversas? Todos – eu disse todos – levantam as mãos. Aí, eu os ensino a meditar com outro nome. E isto vem acontecendo nos últimos dezesseis anos. Além de ser muito engraçado, o mais interessante é que os resultados têm sido excelentes. Mesmo para aqueles que não acreditam, não gostam, mas que praticam. Certamente o ilustre cientista político ignora as últimas pesquisas das neurociências, como por exemplo, o estudo do cérebro de monges budistas durante a meditação - e suas conseqüências práticas. Mais: isto pode ser transposto para "mentes ocidentais", mesmo em pessoas incultas, em cerca de 8-12 semanas. Certamente o erudito escritor desconhece as mais recentes investigações da molécula DNA, que se modifica segundo pensamentos e sentimentos de observadores, simultaneamente, em tempo real e a uma distância máxima testada de 80 quilômetros. Certamente o douto humanista ainda não aprendeu um emergente paradigma da física quântica e da nanologia, magnificamente condensado no documentário "Quem somos nós?". Não é nenhum desdouro. Quando era um cardiologista tradicional, eu também pensava que o mundo terminava no meu quintal. Como o homem de negócios do "Pequeno Príncipe". Apenas como é um comunicador, humanista e educador o senhor Emir Sader tem a grande responsabilidade de refletir mais antes de falar ou escrever, sob pena de deseducar àqueles que mais precisam de ajuda, auto-sabotando, portanto, a sua própria intenção. A quem interessar possa, existe vasta bibliografia nas mais respeitadas publicações científicas. No mais, concordo com suas visões sobre o capitalismo predatório e o papel alienante da maior parte da mídia. Por sinal, recomendo que veja ou reveja o impressionante documentário "The Corporation", que condensa de forma magistral os crimes contra a humanidade e contra a natureza perpetrados pelas corporações pátrias e adventícias, no afã de conseguir o máximo lucro no menor tempo possível. Desconsiderando os efeitos já manifestos na brusca modificação do clima, seviciando o tão maltratado planeta. E olhe que lá estão figuras de alto quilate, tais como Noam Chomsky e Michael Moore, entre outros. Respeito a sua cultura, a sua inteligência e as suas boas intenções. Apenas procuro colaborar para que não se torne tão sectário quanto o brilhante colega Dráuzio Varela. Seria uma pena desperdiçar tão imenso potencial. Aceite agora, preclaro professor, as escusas por tão longa catilinária do supra-assinado, que votou quatro vezes no viúvo Porcino - aquele que foi Lula sem nunca ter sido.
Escrito em 8/4/2006 Publicado: 9/4/2006
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