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Uma das premissas fundamentais da AMC é que nossos pensamentos influem - e são influenciados - pelas emoções, e que ambos interagem com nossa fisiologia, como se formassem um círculo, onde não há causas nem efeitos definidos. Neste contexto, pensamentos são representações mentais ou internas de imagens, sons - da natureza, musicais, monólogos, diálogos - e de sensações físicas: peso, pressão, localização, temperatura, umidade, textura, odores e sabores (Se duvidar, incréu leitor, pense na sua comida favorita: ela pode ser imaginária, mas a sua salivação é real); emoções significam sensações específicas experimentadas em áreas do corpo, agradáveis ou desagradáveis, desejáveis ou não (quando neutras, insensível leitor, você nem as sente). Fisiologia, ainda neste contexto, representa a chamada expressão corporal, isto é, o conjunto de posturas, gestos, expressões fisionômicas, movimentos dos olhos, tipos de respiração, tônus muscular, temperatura e umidade das mãos, palidez, rubor, espessura do lábio inferior (excelente sinal de transe hipnótico), e as características da voz.
E daí, quais são as aplicações práticas da tal premissa? Infinitas, estupefato leitor. Para o sujeito experimentar um determinado estado emocional, síndrome do pânico, por exemplo, ele tem que ser um craque. O quê? É isto mesmo, perplexo leitor. Ele tem que gerar imagens e sons internos ameaçadores (involuntários e inconscientes), através da combinação de certas características dos dito cujos: tamanho, cores, distância, movimento etc, tom, timbre, volume, velocidade etc etc. Além disto, seu corpo tem que colaborar: músculos tensos, respiração torácica, rápida e superficial ou, então, "travada", olhos arregalados. Logo, logo, estará hiperventilando e, como resultado, a freqüência cardíaca aumenta, podendo ocorrer distúrbios do ritmo e palpitações, fechando cada vez mais o círculo vicioso. Se não for assim, nada feito.
Em verdade, em verdade vos digo, nunca vi ninguém com síndrome do pânico, sentadão, relaxado, respirando profunda, confortável e len...ta...men...te com o abdome, sorrindo e me falando de-va-gar-qua-se-pa-ran-do: "Nel-son...es-tou...sen-tin-do...um...me-do...tão...gran-de...que...não...sei... o...que...fa-zer".
É assim que funciona no pânico? É, apavorado leitor. E é assim também que funciona na depressão e na euforia, na alegria e na tristeza, no tédio e na motivação, até que a morte nos separe. O conteúdo pode variar, mas o processo é basicamente o mesmo.
A boa notícia é que podemos ensinar o paciente a usar, conscientemente e em benefício próprio, outros padrões de pensamentos, emoções e fisiologia.
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